terça-feira, 25 de janeiro de 2011

As tentações de Cristo

PERGUNTA
Nome: Maicon de Souza
Enviada em: 03/12/2010
Local: Vitória - ES, Brasil
Religião: Católica
Escolaridade: 2.o grau concluído
Profissão: Corretor de Seguros

Prezados Amigos,
Salve Maria!

Fico muito feliz pela continuidade deste apostolado, nunca deixem de lutar, a Igreja precisa de filhos como vocês.

Lendo o evangelho de S. Mateus IV.1-11 que diz:

""Então o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome. 3 Então, o tentador se aproximou e disse a Jesus: «Se tu és Filho de Deus, manda que essas pedras se tornem pães!» 4 Mas Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.’ «

5 Então o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o na parte mais alta do Templo. 6 E lhe disse: «Se tu és Filho de Deus, joga-te para baixo! Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra.’ « 7 Jesus respondeu-lhe: «A Escritura também diz: ‘Não tente o Senhor seu Deus.’ «

8 O diabo tornou a levar Jesus, agora para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e suas riquezas. 9 E lhe disse: «Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar.» 10 Jesus disse-lhe: «Vá embora, Satanás, porque a Escritura diz: ‘Você adorará ao Senhor seu Deus e somente a ele servirá.’"
11 Então o diabo o deixou. E os anjos de Deus se aproximaram e serviram a Jesus.


Me surgiram algumas dúvidas, a primeira é a seguinte;

Jesus tendo a plena consciência de ser Deus, por qual motivo satanás insistia tentar colocar nEle dúvidas sobre a sua divindade. Por acaso o diabo almejava verdadeiramente fazer Deus duvidar de sua divindade?
Satanás acreditava realmente que Deus poderia cair em tentação? Ou prostar-se diante dele e o adorar em troca dos reinos deste mundo?
Por que Cristo precisou ser tentado?

Que S. Luis de Montfort esteja com vocês sempre, que Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo os defenda, e que Nosso Senhor dê vida longa a Associação Cultural Montfort.

 

RESPOSTA

Muito Prezado Maicon,
Salve Maria,
 
     Agradecemos muitíssimo suas orações, pois compreendemos que sem oração não podemos nos manter junto à Cruz de Cristo, fiéis à Verdade ao lado de Nossa Mãe Santíssima.
 
     Muito perspicaz sua dúvida. É claro que se o demônio conhecesse, de fato, que Cristo era Deus e homem, ou seja, que era - e é - a união de duas naturezas, humana e divina, em uma única substância, o demônio não tentaria a Cristo. Mas o “príncipe deste mundo” tentou a Cristo, e por isso podemos inferir que ele não conhecia essa verdade sublime e elevadíssima que é a Encarnação.
 
     É isso o que nos ensina São João Crisóstomo nas Homilías sobre San Mateo:
 
al no saber claramente el misterio inefable de la encarnación ni quién era el que tenía allí delante, intenta tender otros lazos, con los que pensaba saber lo que para él estaba escondido y oscuro” página 238 edição da BAC.
 
     Dado que o demônio quis tentar a Cristo ele o fez da maneira mais astuta possível. Tentando detectar uma fraqueza em Cristo o demônio nos revelou seu modo de agir, a maneira pela qual o “príncipe deste mundo” atrai homens para o seu reino, e é isso que estudaremos mais em detalhes.

     As tentações são narradas em três evangelhos, em São Mateus (Capítulo 4; 1 - 11), em São Marcos (Capítulo 1; 12 e 13) e em São Lucas (Capítulo 4; 1 - 13).
 
São Marcos:
 
"E logo o Espírito o impeliu para o deserto. E esteve quarenta dias e quarenta noites; e era tentado por Satanás; e estava com as feras , e os anjos o serviram."
 
 
São Mateus
São Lucas
1ª Tentação
E, aproximando-se (dele) o tentador, disse-lhe: Se és filho de Deus, dize que estas pedras se convertam em pães. Ele, porém, respondendo-lhe, disse: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
Disse-lhe então o demônio: Se és Filho de Deus, dize a esta pedra que se converta em pão. E Jesus respondeu-lhe: Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra de Deus.
2ª Tentação
Então o demônio transportou-o à cidade santa, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Porque está escrito: Confiou aos seus anjos o cuidado de ti, e eles te tomarão nas mãos, para que não tropeces com o teu pé na pedra. Jesus disse-lhe: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.
E o demônio conduziu-o a um alto monte, e mostrou-lhe, num momento, todos os reinos da terra, e disse-lhe: Dar-te-ei o poder de tudo isso, e a glória destes (reinos), porque eles foram-me dados, e eu dou-os a quem me parece. Portanto, se tu me adorares, todos eles serão teus. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a Ele só servirás.
3ª Tentação
De novo o demônio o transportou a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua magnificência. E lhe disse: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então Jesus disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: O Senhor teu Deus adorarás, e a ele só servirás.  Então o demônio deixou-o; e eis que os anjos se aproximaram, e o serviram.
E levou-o a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo. Porque está escrito que Deus mandou aos seus anjos que tivessem cuidado de ti, e que te guardassem, e que te sustivessem em mãos, para não magoares o teu pé em nenhuma pedra. E Jesus, respondendo, disse-lhe: (Também) foi dito: Não tentarás o Senhor teu Deus. E, terminada a tentação, retirou-se dele o demônio até outro tempo.
 

     O que podemos concluir:
 
1. O uso exclusivo da escritura (sola scriptura), com abandono de seu espírito (que concilia e fundamenta a verdade de todos os textos sagrados) não é uma nota distintiva somente dos protestantes, mas também do modo de agir do demônio, ambos usam citações da sagrada escritura para negar a verdade ensinada por Deus.
 
 2. Fenômenos preter naturais não podem ser tomados como critérios de verdade, afinal o demônio transportou Cristo para lugares longínquos de modo instantâneo, por isso ainda que tais fenômenos (ou experiências) sejam verdadeiros, não podem ser tomados como critérios distintivos da verdadeira religião.
No entanto conhecemos pelo evangelho que Cristo utilizou-se dos milagres para nos ensinar a verdade, como no caso do paralítico:
 
E, vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Filho, tem confiança, são-te perdoados os teus pecados. E logo alguns dos escribas disseram dentro de si: Este blasfema. E, tendo Jesus visto os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal nos vossos corações? Que coisa é mais fácil, dizer: São-te perdoados os teus pecados, ou dizer: Levante-te e caminha? Pois, para que saibais que o Filho do homem tem poder sobre a terra de perdoar pecados: Levanta-te, disse então ao paralítico, toma o teu leito, e vai para tua casa.” São Mateus 9; 2 -6.
 
Então, como poderemos conhecer quando tais fenômenos são vindos de Deus ou do demônio? Sempre deveremos analisar o propósito, pois, quando o milagre tem como finalidade ensinar uma verdade, como no caso do paralítico, temos uma ação ordenada; porém, quando o prodígio tem como finalidade a vanglória, a soberba ou outro vício, temos então algo desordenado.
 
“Ora é desordenado que alguém, para sustentar o corpo, podendo recorrer a auxílios humanos, queira procurar para si alimento miraculosamente. No deserto, onde não era possível encontrar alimento de outra maneira, o Senhor proporcionou miraculosamente o maná aos filhos de Israel. Do mesmo modo Cristo alimentou miraculosamente as multidões no deserto. Mas para acudir à própria fome, Cristo poderia prover de outra maneira, que não fazendo um milagre, quer fazendo como João Batista, como se lê no Evangelho de Mateus, quer dirigindo-se às aldeias próximas. Por isso, pensava o diabo que Cristo, se fosse apenas um homem, pecaria se tentasse fazer um milagre para matar a fome.” Suma Teológica de Santo Tomás IIIª, Q. 41, a.4, sol 1.
 
     Portanto devemos analisar a finalidade, e não a experiência em si.
 
     Com as sagradas escrituras aprendemos que o demônio utilizou-se dos vícios da gula, vanglória e soberba para vencer Adão. Sendo assim deveria incitar suas tentações contra Cristo da mesma forma. Cristo então deveria vencer as tentações objeto da queda de Adão. Assim nos argumenta São Tomás:
 
“(...) Primeiro provocou-o com a comida da árvore proibida: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comais de nenhuma das árvores do jardim’?” Segundo, incitou-o à vanglória dizendo: “Os vossos olhos se abrirão”. Terceiro, propôs-lhe a tentação de extrema soberba: “Sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal”.
O mesmo modo observou ao tentar Cristo. Primeiro tentou-o a respeito do que moderadamente desejam as pessoas espirituais, isto é, o sustento do corpo pelo alimento. Segundo, passou àquilo em que as pessoas espirituais algumas vezes falham, a saber, fazer alguma coisa por ostentação: o que pertence à vanglória. Terceiro, propôs-lhe uma tentação própria não mais de pessoas espirituais, senão de carnais, isto é, a ambição de riquezas e de glória mundana “até o desprezo de Deus”. Suma Teológica de Santo Tomás IIIª, Q. 41, a.4, rep.
 
Para os homens que não caem no pecado da gula o demônio reserva um segundo grau de tentações, conforme o evangelho de São Mateus, a tentação de vanglória. E finalmente para aqueles que não vendem sua alma pela gula ou pela vanglória há ainda a derradeira tentação: servidão ao demônio diretamente.
 
     Esse trecho do evangelho nos serve como chave interpretativa para toda a história, afinal há pelo menos três níveis de tentações que distinguirá três hierarquias de homens:
            - há os que são pecadores, principalmente devido às tentações da carne; 

            - outros devido ao vício da vanglória;
            - e há outros ainda, que aceitam cultuar o demônio, se em troca obtiverem o que de direito é de Deus, o governo do mundo.
 
     Assim é o resumo do ensinamento de São João Crisóstomo:
 
Ahora expliquemos brevemente qué significam las tentaciones de Cristo.(...) El que se habitúa con el pecado convierte la piedra en pan. Responda, pues, al demônio cuando le tiende, dicendo: “Que no de sólo el uso de aquella cosa vive el hombre, sino de la observancia de los mandatos de Dios”. Cuando alguno se engríe como si fuese santo, es como llevado al templo, y cuando se crea que está en la cumbre de la santidad, entonces es cuando le coloca sobre el pináculo del templo, y ésta es la tentación que sigue a la primera, porque la victoria de la tentación produce la vanagloria e es causa de jactancia. Pero advierte que Cristo ayunó voluntariamente. El diablo lo llevó al templo para que ti te consagres espontáneamente a la abstinencia, pero por ello no te creas que has llegado a la cumbre de la santidad; huye del orgullo del corazón y no experimentarás tu ruina; la subida al monte es la marcha hacia las riquezas y la gloria de este mundo, como que desciende de la soberbia del corazón. Cuando quieras rico, lo cual equivale a subir al monte, empiezas a pensar en adquirir las riquezas y los honores, y entonces el Príncipe de este mundo te manifiesta la gloria de su reino. En tercer lugar, te ofrece las causas para que, se las quieres seguir, le sirvas, menospreciando la justicia de Dios.” (Catena Aurea, Santo Tomás de Aquino, edição do Curso de Cultura Catolica, Buenos Aires, Vol I. páginas 99 e 100).
           
     Não devemos ser ingênuos e achar que esse contexto aplica-se somente à época de Cristo. Ora, na história observamos que existiram homens que perdem sua alma e dignidade pela gula, como Esaú, que vendeu o direito de primogenitura por um prato de lentilhas, dando uma importância excessiva ao pão; ou ainda como os Teólogos da Libertação que aparentam não lembrar-se do que Cristo nos ensinou “nem só de pão vive o homem”. Há ainda homens que perdem sua dignidade pela vanglória como Imperador Aureliano, que proclamou-se Dominus et Deus em 274. E, por fim, identificamos na história homens que expressam sua adoração ao demônio, como Baudelaire e outros tantos artistas românticos e modernos. Constatamos ainda mais próximos de nós essa adoração pervertida no rock.

     O paralelo que fazemos das tentações de Cristo pode e deve ser estendido até os dias de hoje, de uma forma bastante profunda. Podemos, efetivamente, compreender melhor a história do mundo à luz desse paralelo.


S. Mateus e S. Lucas narram três tentações de Jesus, nas quais se espelha a luta por causa da sua missão, bem como se introduz, ao mesmo tempo, a questão sobre o sentido da vida humana enquanto tal. O núcleo de toda a tentação – isso se torna visível aqui – é colocar Deus de lado, o qual, junto às questões urgentes da nossa vida, aparece como algo secundário, se não mesmo de supérfulo e incômodo. Ordenar; construir o mundo de um modo autônomo, sem Deus; reconhecer como realidade apenas as realidades políticas e materiais e deixar de lado Deus, tendo-o como uma ilusão: aqui está a tentação que de muitas formas hoje nos ameaça.” Página 41 – Jesus de Nazaré Joseph Ratzinger.
 
“Se hoje tivéssemos de escolher, teria Jesus de Nazaré, o filho de Maria, o filho do Pai, alguma possibilidade? Será que conhecemos mesmo Jesus? Será que O compreendemos? (...) Ele [o demônio tentador] apenas nos propõe que nos decidamos por aquilo por aquilo que é racional, pela primazia de um mundo planejado e organizado, no qual Deus pode ter o seu lugar como uma questão privada, mas que não pode imiscuir-se nas nossas intenções essenciais. Soloviev dedica ao Anticristo o livro “O caminho aberto para a paz e o bem-estar do mundo”, que de certo modo se torna a nova Bíblia e que tem como próprio conteúdo a adoração da prosperidade e do planejamento racional.” Páginas 51 e 52 idem. O paralelo então se dá não somente com os primeiros tempos (Adão), mas também com os últimos tempos.
           
Vale lembrar que muitos autores, além do Papa, identificam uma profunda relação entre os princípios da modernidade e os ensinamentos do diabo, e colocam, por exemplo, a lenda do final da Idade Média do Dr. Fausto (o homem erudito que vende sua alma ao demônio Mefistófeles) como um arquétipo do projeto da modernidade. Isso é apontado por MichaeI Jaeger na obra “Fausto” de Goethe [1749 - 1832] (um dos escritores mais importantes da literatura alemã), ou ainda, por Octávio Paz [1914 – 1998], que comenta a proximidade entre a revolta presente na modernidade e o anjo da rebeldia: Lúcifer. 


     Concluímos assim que a tentação do demônio está hoje muito mais presente do que poderíamos pensar, e em todos os seus estágios.
           
     Para concluir a reposta não poderia deixar de mencionar as palavras de São João Crisóstomo para nos alimentar de esperança e nos lembrar o que nos aguarda: a vitória com Deus Nosso Senhor no Céu. Amemos e pratiquemos, portanto, os ensinamentos do Santo:
 
Aprended de ahí que también a vosotros, después que hayáis vencido al diablo, os recibirán los ángeles entre aplausos y os acompañaran por dondequiera como una guardia de honor. De este modo, en efecto, se llevaron los ángeles a Lázaro, salido que hubo de aquel horno ardiente de la pobreza, del hambre y de la estrechez más extrema. Ya os lo he dicho antes: muchas son las cosas que aquí muestra Cristo de que hemos de aprovecharnos nosotros. Como quiera, pues, que todo esto ha sucedido por nosotros, emulemos e imitemos también su victoria. (…) Cada día emplea sus mismas artes con cada uno de sus siervos, no sólo en los montes y soledades, sino también en las ciudades, en las públicas plazas, en los tribunales; y no sólo nos ataca por sí mismo, sino valiéndose también de hombres de nuestro mismo linaje. ¿Qué tenemos, pues, que hacerNegarle absolutamente fe, taparnos los oídos, aborrecer sus adulaciones y volverse tanto más resueltamente las espaldas cuanto mayores promesas nos haga.Páginas 244 e 245 das Homilías sobre San Mateo (BAC).


In Corde Jesu, semper, 

Bruno Oliveira

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20101203152427&lang=bra

O Demônio existe?

  
Várias pessoas, inclusive os Papas, têm chamado a atenção dos católicos para a importância de estar consciente da existência, natureza e ação dos demônios. Por exemplo:
"Quais são hoje as maiores necessidades da Igreja? Não deixem que a minha resposta os surpreenda como sendo simplista e, ao mesmo tempo, supersticiosa e fora da realidade. Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força atuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora." (Papa Paulo VI, L'Osservatore Romano, 24/11/1972)
"É claro que o pecado é um produto da liberdade do homem. Porém, no profundo dessa realidade humana, existem fatores em ação que a colocam para além do meramente humano, na área limite onde a consciência do homem, a sua vontade e a sua sensibilidade estão em contato com as forças das trevas. Elas, de acordo com São Paulo, estão ativas no mundo quase a ponto de dominá-lo (Rm 7,7-25; Ef 2,2; 6,12)" (Papa João Paulo II, Exortação Apostólica à Reconciliação e à Penitência, julho 1993)
Neste trabalho, procuramos apresentar os ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica a respeito da existência dos demônios, em linguagem simples, para ser mais acessível. Aqui não há idéias particulares, mas somente o que a Igreja Católica atesta serem verdades de fé em que todo católico deve acreditar.
Em resumo, a Igreja nos ensina que existem seres chamados demônios, que eram anjos, autoconscientes e inteligentes, que se revoltaram contra Deus, e que espalham o mal no mundo. O chefe destes anjos é Lúcifer, chamado de Satanás ou Diabo.
É por isso que antes de receber os sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia o católico deve renunciar a Satanás e todas as suas obras.

Os Anjos (§328-330)
A existência de seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura chama de anjos, é uma verdade de fé. São criaturas puramente espirituais, dotadas de inteligência e vontade. São criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis.

A Queda dos Anjos (§391-395)
A desobediência dos primeiros pais (Adão e Eva) foi incitada por Satanás, o Diabo. Ele é um ser, um anjo destronado. Antes ele era um anjo bom, criado por Deus. Mas agora ele se opõe a Deus e por inveja, leva os homens à morte. O Diabo e os outros demônios foram criados bons por Deus e se tornaram maus por sua própria iniciativa.
Esses anjos cometeram um pecado. Essa queda foi uma opção livre desses espíritos criados, que rejeitaram de forma total e definitiva a Deus e o seu Reino. Temos um reflexo desta rebelião nas palavras que o Tentador disse a nossos primeiros pais: "Vocês serão como deuses."
O Diabo é pecador desde o princípio, assassino desde o princípio e pai da mentira. Ele até chegou a tentar desviar Jesus de sua missão. Pois Jesus se manifestou para destruir as obras do Diabo.
Mas o poder de Satanás não é infinito. Ele é poderoso por ser um espírito, mas é apenas uma criatura. Não pode impedir a edificação do Reino de Deus. Ele age no mundo por ódio a Deus e ao seu reino em Jesus Cristo.
Deus permite que o Diabo aja, e isso é um grande mistério, mas nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam.

Um Duro Combate (§407-411)
Pelo pecado original o Diabo adquiriu uma certa dominação sobre o homem, embora este continue livre. O pecado original causa a servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo.
O mundo está em uma situação dramática: o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.
Mas Deus não nos abandonou. Deus anunciou o combate entre a serpente (o Diabo) e a Mulher (Maria Imaculada) e a vitória final de Jesus Cristo.

O Nome de Jesus (§434)
A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir de agora é o nome de Jesus que manifesta totalmente o poder supremo do nome acima de todo nome. Os espíritos maus temem seu nome.

A Tentação de Jesus (§538-539)
Após o retiro de Jesus ao deserto, Satanás o tentou por três vezes. Pela sua obediência a Deus, Jesus tornou-se o vencedor do Diabo. Ele venceu o Tentador por nós.

Jesus Desceu à Mansão dos Mortos (§635)
Cristo desceu às profundezas da morte. Jesus, o Príncipe da vida, destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, o Diabo.
Por isso, ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos.

A Obra de Cristo na Liturgia (§1086)
Jesus nos libertou do poder de Satanás e da morte e nos transferiu para o reino do Pai.

O Batismo (§1237)
Como o Batismo significa a libertação do pecado e do seu instigador, o Diabo, pronuncia-se um exorcismo sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a satanás.

Exorcismo (§1673)
Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto sejam protegidos contra a influência do maligno e subtraídos a seu domínio, fala-se em exorcismo. Jesus o praticou e é dele que a Igreja recebeu o poder e o encargo de exorcizar.
O exorcismo visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Bem diferente é o caso de doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Antes de celebrar o exorcismo, é importante ter certeza de que se trata de uma presença do maligno e não de uma doença.

O Homem Imagem de Deus (§1708)
Pela sua paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado.

A Idolatria (§2113)
Existe idolatria quando o homem presta honra e adoração a uma criatura em lugar de Deus. Por exemplo: deuses ou demônios - o satanismo.

A Mentira (§2482)
Mentira é dizer o que é falso com a intenção de enganar. O Senhor denuncia na mentira uma obra do Diabo: Vós sois do diabo, vosso pai, ... nele não há verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

A Inveja (§2538)
É pela inveja do demônio que a morte entrou no mundo.

Livrai-nos do Mal (§2851-2855, 2864)
Neste pedido da oração do Pai-Nosso, o Mal não é uma abstração (uma idéia, uma força, uma atitude), mas designa uma pessoa: Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus.
O Diabo é aquele que se atravessa no meio do plano de Deus e de sua obra de salvação realizada em Cristo.
Assassino desde o princípio, mentiroso e pai da mentira, Satanás, sedutor de toda a terra habitada. Foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é por sua derrota definitiva que a criação toda inteira será liberta da corrupção do pecado e da morte.
Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca; o Gerado por Deus se preserva e o Maligno não o pode atingir. Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.
O Senhor que arrancou vosso pecado e perdoou vossas faltas está disposto a vos proteger e a vos guardar contra os ardis do Diabo que vos combate, a fim de que o inimigo, que costuma engendrar a falta, não vos surpreenda. Quem se entrega a Deus não teme o Demônio. Se Deus é por nós, quem será contra nós?
A vitória sobre o príncipe deste mundo foi alcançada, de uma vez por todas, na Hora em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar a sua vida. É o julgamento deste mundo e o príncipe deste mundo é lançado fora. Ele põe-se a perseguir a Mulher (Maria), mas não tem poder sobre ela: a nova Eva, cheia de graça por obra do Espírito Santo, é libertada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da Santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre virgem).
Enfurecido por causa da Mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes. Por isso o Espírito e a Igreja rezam: Vem, Senhor Jesus, porque sua Vinda nos livrará do Maligno.
Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que liberte de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador.
O príncipe deste mundo atribuíra a si mentirosamente os três títulos de realeza, poder e de glória; Cristo, o Senhor, os restitui a seu Pai e nosso Pai, até entregar-lhe o Reino quando será definitivamente consumado o Mistério da salvação e Deus será tudo em todos.
Neste pedido, "livrai-nos do mal", o cristão pede a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo, sobre o Príncipe deste mundo, sobre Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e a seu plano de salvação.

http://www.veritatis.com.br/doutrina/demonios/875-o-demonio-existe

Testemunho de um jornalista ateu sobre o Papa João Paulo II

23.01.2011 -
Publicado no Jornal “O Estado de São Paulo” de 05/04/2005, terça feira

Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: “Como eu estou sozinho!” — pensei.
Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente.Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando “virei casaca” para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.
Sei que “de mortuis nihil nisi bonum” (“não se fala mal de morto”), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a “maldade” e pedindo uma “paz” impossível, no meio da sujeira política.
Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas… Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! — reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde…
Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão “perdoar” o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua “infinita bondade” com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.
E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente… Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele…Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”. E o tempo passou.
Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se “vitorioso”, prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: “A Igreja Católica não é uma democracia”. Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa “de direita”.
Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria “largar o osso” e ria, como um anticristo.
Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar… e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.
n/d
Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão “moderno” que usou a “mídia” sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.
E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.
Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.

Arnaldo Jabor

Fonte: http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/
www.rainhamaria.com.br

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Milagre em Lourdes surpreende Itália e o mundo!

05.01.2011 - O bispo de Tursi-Lagonegro, Itália, foi dos primeiros a anunciar a cura surpreendente de Antonietta Raco, paralisada desde 2005 por causa de uma esclerose lateral amiotrófica (SLA) e curada após uma peregrinação a Lourdes em 2009.Recebemos agora a indicação de página na Internet que reproduziu o testemunho da agraciada contando como aconteceu, o que ela sentiu e o que as testemunhas viram.
Antonieta, 50, vive em Francavilla in Sinni, cidadinha perto da cidade de Potenza, na região de Basilicata (sul da Itália).
Ela vinha sendo tratada num grande hospital longe de seu lar: o hospital Le Molinette, em Turim, no norte da Itália. Após começar a caminhar maravilhosamente, ela voltou ao hospital onde o professor Adriano Chiò declarou:
“Jamais vi um caso do gênero em doentes de esclerose lateral amiotrófica. O diagnóstico era inequívoco: ela tinha uma forma da doença de evolução lenta.
“É uma doença que pode diminuir de velocidade e, no máximo parar, mas não acreditamos possível que melhore, porque atinge os neurônios irreversivelmente”.
“O que nos temos visto por agora é uma regressão da doença, coisa que cientificamente nós acreditamos impossível em pacientes atingidos pela esclerose lateral amiotrófica”.
Em agosto de 2009, Antonieta narrou ao diário do episcopado italiano “Avvenire” o a consulta ao médico:
“Eu tinha presa para ver os médicos. Esperava que algum deles dissesse que eu não tinha mais nada.
“Na consulta, eu vi o estupor dos especialistas. O professor Chiò quis que eu contasse tudo o que me aconteceu sem esconder nada. Ele ficou estupefato e me disse: “Fiquei sem voz”.
Ele mandou fazer novos exames e proibiu suspender a terapia. E, sem acrescentar mais nada me abraçou. Ficamos todos emocionados. “Eu vou rezar sempre por ele desejando que se descubra logo a cura da SLA”.
Como aconteceu a cura?
Antonieta contou a “Avvenire”:
“Em Lourdes, eu não pedi um milagre. Eu pedi a Nossa Senhora forças para viver com dignidade cada instante de vida que me restava.”
Antonieta tinha pânico de acontecer com ela o que foi feito com Piergiorgio Welby e Eluana Englaro. Este último caso é mais conhecido no Brasil: ela foi “eutanasiada” ‒ leia-se assassinada ‒ por decisão do Judiciário contra o protesto universal do mundo católico, especialmente dos católicos italianos.
Esses casos “impressionaram-me. Interromperam os auxílios vitais para essas pessoas. Eu rezei para que não me acontecesse nada parecido. A vida deve ser vivida sempre e em todas as circunstâncias, até o fim. Eu também rezei por uma menina de minha aldeia atingida ela também pelo SLA”.
Quando foi tomar banho nas piscinas de Lourdes:
“Entrando na água fui ajudada por três damas, dois delas afastaram-se logo e outra continuou me ajudando, mas enquanto ela agia senti a presença de mais alguém que segurava meu pescoço. Tentei virar-me para ver quem era, mas não tinha ninguém. Então senti uma grande dor nas pernas e depois um alivio. Foi nesse momento que eu ouvi, na minha esquerda uma voz feminina belíssima, delicada, tenra, leve. Jamais ouvi algo semelhante. O único fato de ouvi-la me aliviava fisicamente. Ela me dizia: “Não tenhas medo, não tenhas medo!” Mas, eu tremia, eu tinha muitíssimo medo, inclusive porque era a única que ouvia essa voz”.
O testemunho do bispo
O bispo diocesano de Tursi-Lagonegro, Dom Francescantonio Nolè, O.F.M.Conv, também contou ao mesmo jornal o que ele viu.
“Esta senhora foi a Lourdes só para pedir morrer em paz”. Ela dizia: “Eu não quero acabar como Welby, eu quero que seja o Senhor, que é o dono da vida, que pegue minha vida em suas mãos”.
“Em Lourdes, após receber esta grande graça, a senhora não falou para ninguém: ela manteve o segredo durante três dias. Quando ela voltou a casa, ela ouviu uma voz interior que a convidava: “Conta! Fala!”
“Ela então me perguntou: “O que é que eu devo dizer? Eu não mereço, eu sou indigna…” Eu lhe disse, tranqüilizando-a, que o Senhor concede estas graças não somente para ela, mas para toda a comunidade e para todos os que vão apreender, e de fato estamos vivendo as conseqüências positivas”.
Na hora de contar ao marido
Na tarde do dia 5 de agosto de 2009, após a romaria a Lourdes, Antonieta ouviu de novo a mesma voz. Até aquele momento ela não tinha contado nada a ninguém.
Relata ela: “Eu estava sentada no canapé, meu marido estava a poucos metros de mim. Eu ouvi de novo e claramente a mesma voz de Lourdes: “Chama-o, conta para ele”. E eu dizia para mim mesma: “Mas o que devo lhe dizer?”
“E ouvi ainda: “chama teu marido e fala para ele”. Então chamei a meu marido Antonio, e eu me pus de pé, caminhei alguns passos e virei sobre mim mesma. Ele não acreditava no que estava vendo. E então lhe contei tudo”.
Antonietta Raco tem vivo desejo de voltar para Lourdes “mas como benévola, para ajudar os doentes, assim como outros me ajudaram”.
O bispo sublinha os efeitos desta cura: “Isto trouxe de volta o fervor para aqueles que tinham fé, chacoalhou as consciências tíbias ou apáticas. Muitos prometeram ir a Lourdes e se porem a serviço dos doentes. Os doentes dizem: “eis que essa mulher recebeu o milagre, mas ela nada pedira”.

Fonte: Zenit (em francês). e  http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/
http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/9845/Lembrando-Milagre-em-Lourdes-surpreende-Italia-e-o-mundo

sábado, 1 de janeiro de 2011

Onde está escrito na bíblia que ''adorar'' imagem é pecado?

No livro do Êxodo 20,4-5 Deus parece proibir o uso de imagens. Mas porquê essa proibição? Porque podiam ser ocasião a que o povo de Israel as adorassem, como faziam os povos vizinhos dados à idolatria. Os israelitas tendiam a imitar gestos religiosos pagãos e, por isso, muitas vezes caíram na idolatria. Deus queria incutir o conceito de Javé, mostrando que o Senhor era diferente dos deuses dos outros povos.

Tomadas as cautelas contra o perigo da idolatria, Deus não somente permitiu, mas até mandou que se fizessem imagens sagradas. Veja:

* Ex 25,17-22 - Deus manda Moisés colocar 2 querubins de ouro na Arca da Aiança, onde Javé falava com seu povo.

* 1Rs 6,23-28 - No Templo construído por Salomão foram colocados querubins de madeira junto à Arca da Aliança. E as paredes do templo tinha imagens de querubins. Tudo feito com ordem de Deus, conforme vemos em 1Cr 22,6-13, e em Ex 31,1-11.

* 1Rs 7,25.29 - No Templo de Salomão havia também bois de metal, leões, touros e querubins.

* Nm 21,8-9 - Deus ordenou a Moisés que fizesse uma serpente de bronze, e quem olhasse para ela seria salvo. 


No século III, encontramos sinagogas da Palestina com pinturas e figuras humanas. A sinagoga de Dura-Europos, na Babilônia, tinha a representação de Moisés, Abraão e outros.


As antigas catacumbas cristãs apresentavam imagens bíblicas. Noé salvo do dilúvio, Daniel na cova dos leões, o Peixe que simbolizava o Cristo e muitas outras.


A veneração que a Igreja presta às imagens, só é válida na medida em que é oferecida indiretamente àqueles que as imagens representam.

Veja alguns depoimentos sobre o uso das imagens:

- "Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, por essa imagem, a quem se dirige as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados. Por essas imagens, aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler" (Papa São Gregório Magno).

- "Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais. Uma veneração respeitosa sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus." (Concílio de Nicéia II).

- "Ninguém há tão simples e iletrado que possa desculpar-se de não saber como viver retamente, quando tem diante de si na imagem do Crucificado, um livro ilustrado, escrito, de forma clara e legível, em que todas as virtudes são aprovadas e todos os vícios reprovados." (Jean Gerson).

- "Outrora Deus invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o "visível" de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria." (ib I.16).




http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=96&scat=177&id=1185