sábado, 25 de setembro de 2010

A Bíblia é a Palavra de Deus. Por que crer nisto?

Fundamentalistas e evangélicos de todo tipo dizem que a Bíblia é a única regra de fé pela qual deve se guiar o crente. É o único e suficiente manancial - segundo eles - do qual brota toda a verdade infalível e necessária para a nossa salvação. Nada deve ser acrescentado à Bíblia, devendo nossa teologia se nutrir somente dela. Toda a verdade cristã se encontra nas suas páginas. Tudo o que não pertence à Bíblia ou é bem errôneo, ou é bem desnecessário, podendo se tornar obstáculo para o acesso a Deus.

Os católicos, por sua vez, dizem que a Bíblia não é a única e suficiente regra de fé para os crentes e que inexiste texto bíblico que sugira o contrário. E mais: a própria Bíblia indica que ela mesma não deve ser tomada exclusivamente como regra de fé. Segundo a Bíblia, a autêntica regra da nossa fé é a Sagrada Escritura e a Tradição Apostólica, tal como se comunica no Magistério vivo da Igreja Católica, à qual foi confiado o ensinamento oral de Jesus Cristo e dos apóstolos, juntamente com a autoridade para interpretar corretamente as Escrituras.

Porém, os evangélicos e fundamentalistas protestantes, que põem toda sua confiança na teoria da sola Scriptura (do latim "somente a Bíblia"), de Martinho Lutero, nos citam desfiguradamente alguns versículos para defender sua posição. O primeiro da lista é este: "Estas coisas foram escritas para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (João 20,31). Outra passagem é: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para argumentar, para corrigir e para treinar na justiça, de modo que o homem de Deus possa estar equipado e preparado para toda boa obra" (2Timóteo 3,16-17). Estes versículos demonstram, segundo os protestantes, a verdade da teoria da sola Scriptura.

Porém, a realidade não é tão assim - respondem os católicos. Em primeiro lugar, o versículo citado de São João se refere às coisas contidas nesse livro (leia-se João 20,30, o versículo imediatamente anterior, para se ver o contexto do assunto em pauta). Se realmente provasse algo, não provaria a teoria da sola Scriptura (=apenas a Bíblia), mas, melhor, a teoria do solo Iohannes (=apenas São João)!

Em segundo lugar, o versículo do Evangelho de São João nos diz tão somente que a Bíblia foi composta para nos ajudar a crer que Jesus é o Messias; de modo algum nos diz que a Bíblia é a única coisa que necessitamos para fazer teologia, e nem sequer nos diz que a Bíblia é necessária para fazer crer em Cristo. E que ninguém se escandalize por isto, já que os primeiros cristãos certamente não podiam recorrer ao Novo Testamento para crer em Jesus, já que então - e por vários séculos - não havia ainda sido escrito o Novo Testamento. Os primeiros cristãos aprendiam sua fé pela pregação oral, não pela escrita. Até pouco tempo, a Bíblia era inacessível para a maioria dos fiéis, quer porque nem todos sabiam ler, quer porque a imprensa ainda não havia sido inventada. Todos esses fiéis aprenderam do ensino oral, entregue de geração em geração, pela Igreja.

O mesmo se pode dizer de 2Timóteo 3,16. Uma coisa é dizer que todos os escritos inspirados "são úteis" para determinado fim e outra coisa muito diferente é dizer que somente os escritos inspirados são úteis para esse fim. Ademais, há um ponto de capital importância que testemunha contra o argumento dos protestantes evangélicos e fundamentalistas; trata-se de uma contradição que surge das suas próprias interpretações deste versículo. John Newman a explicou muito bem em 1884, em seu trabalho "A Inspiração em relação à Revelação".

O ARGUMENTO DE NEWMAN
Escrevia então o cardeal Newman:
"É evidente que este texto - 2Tim. 3,16 - não carrega consigo nenhuma prova de que a Sagrada Escritura, sem a Tradição, é a única regra de fé. Porque ainda que a Sagrada Escritura seja útil para os quatro fins enumerados no citado texto, contudo aqui não nos diz que seja ela a única suficiente. O próprio Apóstolo requer o auxílio da Tradição (2Tes. 2,15). E mais: o Apóstolo se refere aqui às Escrituras que Timóteo aprendera em sua infância. Porém, sabemos que grande parte do Novo Testamento ainda não havia sido escrito durante a infância de Timóteo; inclusive, algumas cartas dos apóstolos ainda não tinham sido escritas no dia em que Paulo escrevia este texto a Timóteo; e nenhum dos livros do Novo Testamento havia ainda sido posto na lista dos livros inspirados. Paulo se refere, evidentemente, às Escrituras do Antigo Testamento. Se este texto for tomado da forma como fazem os protestantes, então provaria melhor que os Escritos do Novo Testamento não são necessários como regra para a nossa fé".

Além de tudo isto, a citação que os protestantes fazem de 2Tim. 3,16 está fora do contexto. Quando lemos esta passagem no seu contexto, descobrimos que a referência feita por Paulo às Escrituras não é senão parte da exortação para que Timóteo tome como seu guia a Tradição e a Escritura. Os dois versículos que vêm antes do citado texto dizem: "Porém, continua tu no que aprendeste e tens crido firmemente, sabendo de quem o aprendeste, e como desde a tua infância conheces os escritos sagrados que podem instruir-te para a salvação por meio da fé em Jesus Cristo" (2Tim. 3,14-15).

Paulo diz a Timóteo que permaneça firme no que aprendeu, por estes dois motivos:
1º) Porque sabia de quem havia aprendido, isto é, do próprio Paulo;
2º) Porque havia sido instruído nas Escrituras.

O primeiro destes motivos é obviamente uma referência à Tradição apostólica, o ensinamento oral que Paulo dispensou a Timóteo. Por isto, os protestantes precisam tirar do contexto 2Tim. 3,16 para chegarem à conclusão da [validade da] sola Scriptura. Porém, quando lemos o texto em seu contexto, verifica-se claro que está nos ensinando a importância da Tradição apostólica.

A Bíblia nega que apenas ela seja suficiente regra de fé. Paulo diz que muito do ensino cristão deve ser encontrado na Tradição, que é entregue de forma oral (2Tim. 2,2). Ele nos ensina a "permanecer firmes e conservar as tradições que têm recebido de nós, seja por palavra ou por carta" (2Tessalonicenses 2,15).

Este ensinamento oral foi aceito pelos cristãos da mesma maneira como aceitaram os ensinamentos escritos que receberam posteriormente. Jesus havia dito aos seus discípulos: "Quem vos ouve, a Mim me ouve; quem vos despreza, a Mim me despreza" (Lucas 10,16). A Igreja, na pessoa dos Apóstolos, recebeu de Cristo a autoridade para ensinar, como sua representante. E Jesus enviou os Apóstolos dizendo: "Ide e fazei discípulos em todas as nações" (Mateus 28,29).

E como deveria se cumprir esta ordem de Cristo? Por meio da pregação, da instrução oral. "A fé vem pelo ouvido, e se ouve pela pregação de Cristo" (Romanos 10,17). A Igreja estaria sempre disponível como mestre viva. E um erro grave limitar a "palavra de Cristo" à palavra escrita apenas, ou também sugerir que todos os seus ensinamentos se reduzem ao que foi posteriormente escrito. A Bíblia nunca sugere semelhante coisa.

O ensinamento oral duraria até o fim dos tempos. "A palavra do Senhor dura para sempre, e essa palavra é a boa nova que vos foi pregada" (1Pedro 1,25). Notemos que a expressão usada é "foi pregada", ou seja, transmitida oralmente. Isto deveria continuar para sempre e em nenhum momento se fala em passar as narrações por escrito com a finalidade de suplantar a pregação oral. A Bíblia "complementa" a pregação oral, não a "suplanta".

Isto fica ainda mais evidente quando o Apóstolo Paulo diz a Timóteo: "O que de mim ouviste perante muitas testemunhas, entrega a homens fiéis que, por sua vez, poderão ensinar outros" (2Tim. 2,2). Aqui encontramos os primeiros elos da cadeia da Tradição Apostólica, que chegou intacta até os nossos dias. Paulo instruiu a Timóteo para que entregasse os ensinos orais (Tradições) que dele recebeu. Por sua vez, Timóteo deveria continuar a cadeia entregando a outros para que estes entregassem os ensinamentos a outros mais. Paulo deu estas instruções não muito tempo antes da sua morte (2Tim. 4,6-8), como se fosse um testamento de como deveria Timóteo conduzir seu ministério.

QUE É A TRADIÇÃO?

Neste assunto, é fundamental lembrar o que entende a Igreja por Tradição. A palavra de forma alguma significa lenda ou relato mitológico, nem tampouco práticas e costumes exteriores, que podem ser alterados com o passar do tempo e circunstâncias, como pode ocorrer na maneira dos sacerdotes se vestirem para as celebrações, certas formas de devoção popular e rubricas litúrgicas.  Quando dizemos "Sagrada Tradição", entendemos os ensinamentos e a autoridade docente de Jesus e, depois d'Ele, dos Apóstolos a quem enviou para que ensinassem (Mateus 28,19-20).

Estes ensinamentos foram entregues à Igreja (isto é, aos seus mestre legítimos, os bispos em comunhão com o papa). É necessário para os cristãos crer e seguir firmemente esta Tradição, da mesma forma que a Bíblia (Lucas 10,16). A verdade da fé foi confiada primeiramente aos líderes da Igreja (Efésios 3,15), os quais, com Cristo, são considerados fundamentos da Igreja (Efésios 2,20). A Igreja foi [e é] guiada pelo Espírito Santo, que a preserva de todo erro (João 14,16).

TRANSMITINDO A FÉ

Paulo nos ensina o que vem a ser a Tradição: "Porque eu lhes transmiti, como de capital importância, aquilo mesmo que eu recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras (...) Portanto, tendo sido eu ou eles, é isto o que pregamos; é nisto que tens crido" (1Coríntios 15,3.11). O Apóstolo elogia aqueles que conservam a Tradição: "Vos elogio porque vos recordais de mim a todo momento e mantendes as tradições tais como vos entreguei" (1Cor. 11,2).

Os primeiros cristãos "se entregavam ao ensino dos Apóstolos" (Atos 2,42) muito antes da existência de um Novo Testamento. A plenitude do ensino de Cristo encontrava-se, desde o princípio, na Igreja, como na viva encarnação de Cristo, e não em um livro. A Igreja docente, com suas Tradições orais e apostólicas, tinha [e tem] autoridade. O próprio Paulo apresenta uma citação das palavras de Jesus que se conhecia somente pela tradição oral: "É melhor dar do que receber" (Atos 20,35). Este dito de Jesus não se encontra nos Evangelhos, mas de alguma maneira chegou a Paulo. Não há dúvida de que os próprios Evangelhos são tradições orais que foram passadas para a forma escrita (Lucas 1,1-4). E mais: Paulo não cita apenas Jesus, mas também cita antigos hinos litúrgicos, como vemos, por exemplo, em Efésios 5,14. Estes e outros ensinamentos foram entregues aos cristãos "pelo Senhor Jesus" (1Tessalonicenses 4,2).

Os fundamentalistas dizem que Jesus condenava a tradição. Nos advertem que Cristo disse: "Por que revogais os mandamentos de Deus por causa das vossas tradições?" (Mateus 15,3). E São Paulo também teria escrito: "Olhai para que ninguém vos engane pela falácia de uma vã filosofia, baseada em tradições humanas, segundo os elementos do mundo e não segundo Cristo" (Colossenses 2,8). Porém, estes versículos condenam as errôneas tradições humanas, não as verdades que foram entregues oralmente pelos Apóstolos à Igreja. Estas verdades são as que fazem parte da Tradição (com "T" maiúsculo, para diferenciá-la das tradições meramente humanas).

"OS MANDAMENTOS DOS HOMENS"

Consideremos Mateus 15,6-9, citado freqüentemente por fundamentalistas e evangélicos: "Assim, haveis anulado a Palavra de Deus por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, quando disse: 'Este povo me honra com os lábios, porém, seu coração está longe de Mim; em vão me rende culto, já que ensina doutrinas que são preceitos de homens'".

Vejamos atentamente o que nos diz Jesus: certamente não estava condenando todas as tradições, mas aquelas que anulavam a Palavra de Deus. Neste caso em específico, se tratava de uma artimanha dos fariseus, daquilo que ofertavam ao templo como desculpa para não ter que prestar assistência aos seus pais idosos. Agindo assim, anulavam o mandamento "Honrarás teu pai e tua mãe" (Êxodo 20,12). Em outro lugar, Jesus manda seus Apóstolos guardarem as tradições que não fossem contrárias aos mandamentos de Deus: "Os escribas e os fariseus estão sentados na cátedra de Moisés; fazei tudo o que eles dizem - e que não praticam - porque eles pregam mas não fazem o que pregam" (Mateus 23,2-3).

O que os fundamentalistas e evangélicos, infelizmente, fazem com muita freqüência é ver a palavra "tradição" em Mateus 15,3, em Colossenses 2,8 ou em algum outro lugar, e concluir que essa palavra deve ser tida por desprezível. Agindo assim, esquecem que em outros lugares o mesmo termo é usado com outro sentido, como em 1Coríntios 11,2 e 2Tessalonicenses 2,15, onde "tradição" é algo que deve ser crido. Jesus não condenou toda tradição; condenou as tradições errôneas - sejam doutrinas ou práticas - que minam as verdades cristãs. As demais Tradições, como nos pede o Apóstolo, devem ser conservadas firmemente. São Paulo manda os Tessalonicenses aderirem totalmente às tradições que ele lhes passara por palavra [oral] ou por carta [escrito].

A IGREJA INDEFECTÍVEL

A questão implica em saber no que constitui a autêntica Tradição. Como posso saber quais tradições são apostólicas e quais são meramente humanas? Como saber se o que nos ensina a Igreja Católica possui origem apostólica? Sabemos no que crer porque Cristo prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mateus 16,18). A Igreja de Cristo seria indefectível e os seus ensinamentos oficiais seriam infalíveis. Cristo, através de Pedro, entregou-lhe o seu poder de ensinar (Mateus 16,19; 28,28-20). Foi Cristo quem fez da Igreja "a coluna e o fundamento da verdade" (1Timóteo 3,15).

Traduzido pelo Veritatis Splendor por Carlos Martins Nabeto, diretamente do site http://www.apologetica.org.

 http://www.veritatis.com.br/apologetica/solascriptura/864-a-biblia-e-a-palavra-de-deus-por-que-crer-nisto

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Como saber qual a verdadeira religião?

Pensa-se que todas as religiões são boas. Todas — salvo degenerações estranhas que são como a exceção que confirma a regra — levam a homem a fazer coisas boas, exaltam sentimentos positivos e satisfazem em maior ou menor medida a necessidade de transcendência que todos temos. No fundo, dá igual uma ou outra. Além disso, por que não pode haver várias religiões verdadeiras?

É certo que alguém tem que ser de espírito aberto, e apreciar tudo o que é positivo que há nas diversas religiões, que é substancialmente diferente que dizer que existem várias religiões verdadeiras: se somente houver um Deus, não pode haver mais que uma verdade divina, e uma só religião verdadeira.

A sensatez na decisão humana sobre a religião não estará, portanto, em escolher a religião que a um goste ou lhe satisfaça mais, mas sim em acertar com a verdadeira, que só pode ser uma. Porque uma coisa é ter uma mente aberta e outra, bem distinta, pensar que cada um pode fazer uma religião a seu gosto, e não se preocupar muito posto que todas vão ser verdadeiras. Já disse Chesterton que ter uma mente aberta é como ter a boca aberta: não é um fim, a não ser um meio. E o fim —dizia com senso de humor— é fechar a boca sobre algo sólido.

Como cristão que sou, acredito que o cristianismo é a religião verdadeira. Porque se a gente não acredita que sua fé é a verdadeira, o que lhe acontece então, simplesmente, é que não tem fé. Logicamente, acreditar que o cristianismo é a religião verdadeira não implica impô-la a outros, nem menosprezar a fé de outros, nem nada parecido. É mais, a fé cristã bem entendida exige esse respeito à liberdade de outros.
Agora bem, a adesão à verdade cristã não é como o reconhecimento de um princípio matemático. A revelação de Deus se desdobra como a vida mesma, e toda verdade parcial não tem por que ser um completo engano. Muitas religiões terão uma parte que será verdade e outra que conterá enganos (exceto a verdadeira, que, logicamente, não conterá enganos). Por esta razão, a Igreja Católica —recordando o Concílio Vaticano II— nada rechaça do que em outras religiões tem de verdadeiro e santo. Considera com sincero respeito os modos de trabalhar e de viver, os preceitos e doutrinas que, embora discrepem em muitos pontos do que ela professa e ensina, não poucas vezes refletem um brilho daquela Verdade que ilumina a todos os homens.

E por que a religião cristã vai ser a verdadeira?

Para responder esta pergunta, pode-se contribuir com provas sólidas, racionais e convincentes, mas nunca serão provas esmagadoras e irresistíveis. Além disso, nem todas as verdades são demonstráveis, e menos ainda para quem entende por ‘demonstração’ algo que tem que estar atado infalivelmente à ciência experimental.

Digamos — não é muito acadêmico — que é como se Deus não queria nos obrigar a acreditar. Deus respeita a dignidade da pessoa humana, que Ele mesmo criou, e que deve reger-se por sua própria determinação. Deus jamais coage (além disso, se fosse algo tão evidente como a luz do sol, não faria falta demonstrar nada: nem você estaria lendo isto nem eu agora o escrevendo).

Para acreditar, faz falta uma decisão livre da vontade: a fé é de uma vez um dom de Deus e um ato livre. E ninguém se rende diante de uma demonstração não totalmente evidente (alguns, nem sequer diante das evidentes), se houver uma disposição contrária da vontade. Neste caso, sugiro, para compreensão da leitura, comentar algumas das razões que podem fazer compreender melhor porque a religião cristã é a verdadeira. Não pretendo fazê-lo de modo exaustivo nem tremendamente rigoroso: trata-se simplesmente de lançar um pouco de luz sobre o assunto, resolvendo algumas duvida, ou fortalecendo convicções que já se tem: só tento fazer mais verossímil a verdade.

Um surpreendente desenvolvimento

Podemos começar, por exemplo, por considerar o que tem suposto o cristianismo na história da humanidade. Pensem como, nos primeiros séculos, a fé cristã se abriu caminho no Império Romano de forma prodigiosa. O cristianismo recebeu um tratamento tremendamente hostil. Houve uma repressão brutal, com perseguições sangrentas, e com todo o peso da autoridade imperial em seu contrário durante muitíssimo tempo (uns dois séculos). É necessário pensar também que a religião então predominante era um amálgama de cultos idolátricos, enormemente indulgentes, em sua maior parte, com todas as debilidades humanas. Tal era o mundo que deviam transformar. Um mundo cujos dominadores não tinham interesse algum em que trocasse. E a fé cristã se abriu passo sem armas, sem força, sem violência de nenhuma classe. E, em que pese a essas objetivas dificuldades, os cristãos eram cada vez mais.

Obter que a religião cristã se enraizasse, estendesse e perpetuasse; obter a conversão daquele enorme e poderoso império, e trocar a face da terra dessa maneira, e tudo a partir de doze pregadores pobres e ignorantes, deficientes de eloqüência e de qualquer prestígio social, enviados por outro homem que havia sido condenado a morrer em uma cruz, que era a morte mais vergonhosa daqueles tempos… Sem dúvida para o que não acredita nos milagres dos evangelhos, pergunto-me se não seria este milagre suficiente. Algo absolutamente singular na história da humanidade.

Jesus de Nazaré

Entretanto, pergunta-a básica sobre a identidade da religião cristã se centra em seu fundador, em quem é Jesus de Nazaré.
O primeiro traço característico da figura de Jesus Cristo — assinala André Léonard — é que afirma ser de condição divina. Isto é absolutamente único na história da humanidade. É o único homem que, em seu são julgamento, reivindicou ser igual a Deus. E recalco o de reivindicado porque, como veremos, esta pretensão não é em modo algum sinal de jactância humana, mas sim, ao contrário, vai acompanhada da maior humildade.

Os grandes fundadores de religiões, como Confúcio, Lao-Tse, Buda e Maomé, jamais tiveram pretensões semelhantes. Maomé dizia profeta de Alá, Buda afirmou que tinha sido iluminado, e Confúcio e Lao-Tse pregaram uma sabedoria. Entretanto, Jesus Cristo afirma ser Deus.

Os gestos de Jesus Cristo eram propriamente divinos. O que de entrada surpreendia e alegrava as pessoas era a autoridade com que falava, por cima de qualquer outra, até da mais alta, como a de Moisés; e falava com a mesma autoridade de Deus na Lei ou dos Profetas, sem referir-se mais que a si mesmo: “ouvistes que se disse…, Mas eu lhes digo…” Através de seus milagres manda sobre a doença e a morte, dá ordens ao vento e ao mar, com a autoridade e o poderio do Criador mesmo.

Entretanto, este homem, que utiliza o eu com a audácia e a pretensão mais insustentáveis, possui ao mesmo tempo uma perfeita humildade e uma discrição cheia de delicadeza. Uma humilde pretensão de divindade que constitui um fato singular na história e que pertence à essência própria do cristianismo.

Em qualquer outra circunstância — pense-se de novo em Buda, em Confúcio ou em Maomé — os fundadores de religiões lançam um movimento espiritual que, uma vez posto em marcha, pode desenvolver-se com independência deles. Entretanto, Jesus Cristo não indica simplesmente um caminho, não é o portador de uma verdade, como qualquer outro profeta, mas sim é Ele mesmo o objeto próprio do cristianismo.

Por isso, a verdadeira fé cristã começa quando um fiel deixa de interessar-se pelas idéias ou a moral cristãs, tomadas em abstrato, e encontra Ele como verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

Quando se trata de discernir entre o verdadeiro e o falso, e em algo importante, como o é a religião, convém aprofundar o bastante. A religião verdadeira será efetivamente a de maior atrativo, mas para quem tem dela um conhecimento suficientemente profundo.

Pode alguém se salvar com qualquer religião?

A verdade sobre Deus é acessível ao homem na medida em que este aceite deixar-se levar por Deus e aceite o que Deus ordena; na também em que o homem queira procurar Deus retamente. Por isso, é um barbarismo dizer que os que não são cristãos não procuram Deus retamente. Há gente reta que pode não chegar a conhecer Deus com completa claridade. Por exemplo, por não ter conseguido libertar-se de uma certa cegueira espiritual. Uma cegueira que pode ser herdada de sua educação, ou da cultura em que nasceu, e nesse caso, Deus que é justo, julgará a cada um pela fidelidade com que tenha vivido conforme a suas convicções. É preciso, logicamente, que ao longo de sua vida tenham feito o que esteja em sua mão por chegar ao conhecimento da verdade. E isto é perfeitamente compatível com que haja uma única religião verdadeira.

Nesta linha, a Igreja Católica destaca que os que sem culpa de sua parte não conhecem o Evangelho nem a Igreja, mas procuram Deus com sincero coração e tentam em sua vida fazer a vontade de Deus, conhecida através do que lhes diz sua consciência, podem conseguir a salvação eterna.

E como assegura Peter Kreeft, o bom ateu participa de Deus precisamente na medida em que é bom. Se alguém não acreditar em Deus, mas participa de alguma medida do amor e a bondade, vive em Deus sem sabê-lo. Isto não significa, entretanto, que basta sendo bom sem necessidade de acreditar em Deus para obter a salvação eterna. A pessoa não deve acreditar em Deus porque nos seja útil, ou porque nos permita sermos bons, mas sim, fundamentalmente, porque acreditam que Deus é verdadeiro.

Nesta linha terá que nos mostrar um tanto céticos diante de algumas crise de fé supostamente intelectuais, mas que no fundo escondem uma opção por fabricar uma religião própria, à medida dos próprios gostos ou comodidades. Quando uma pessoa faz uma interpretação acomodada de sua religião para rebaixar assim suas exigências morais, ou não se preocupa em receber a necessária formação religiosa adequada a sua idade e circunstâncias, é bem provável que a pretendida crise intelectual bem possa ter outras origens.

Por que, então, a Igreja é necessária para a salvação do homem?

A Igreja peregrina é necessária para a salvação, pois Cristo é o único Mediador e o caminho de salvação, presente a nós em seu Corpo, que é a Igreja» (LG 14).

Seguindo a Dominus Iesus, esta não se contrapõe à vontade salvífica universal de Deus; portanto, «é necessário, pois, manter unidas estas duas verdades, ou seja, a possibilidade real da salvação em Cristo para todos os homens e a necessidade da Igreja em ordem a esta mesma salvação» (Redemptoris missio, 9). Para aqueles que não são formal e visivelmente membros da Igreja, «a salvação de Cristo é acessível em virtude da graça que, até tendo uma misteriosa relação com a Igreja, não lhes introduz formalmente nela, mas sim os ilumina de maneira adequada em sua situação interior e ambiental. Esta graça provém de Cristo; é fruto de seu sacrifício e é comunicada pelo Espírito Santo» (ibid, 10).

Certamente, as diferentes tradições religiosas contêm e oferecem elementos de religiosidade, que formam parte de «tudo o que o Espírito obra nos homens e na história dos povos, assim como nas culturas e religiões» (Redemptoris missio, 29). A elas, entretanto, não lhes pode atribuir uma origem divina nenhuma eficácia salvífica ex opere operato, que é própria dos sacramentos cristãos. Por outro lado, não se pode ignorar que outros ritos não cristãos, assim que dependem de superstições ou de outros enganos (cf. 1 Cor 10, 20-21), constituem mas bem um obstáculo para a salvação.

Neste sentido, a Dominus Iesus é bastante clara quando afirma que com a vinda de Jesus Cristo Salvador, Deus estabeleceu à Igreja para a salvação de todos os homens. Esta verdade de fé não tira o fato de que a Igreja considera as religiões do mundo com sincero respeito, mas ao mesmo tempo exclui essa mentalidade de indiferença «marcada por um relativismo religioso que termina por pensar que “uma religião é tão boa como outra”» (Redemptoris missio, 36). Como exigência do amor a todos os homens, a Igreja «anuncia e tem a obrigação de anunciar constantemente a Cristo, que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e em quem Deus reconciliou consigo todas as coisas» (Nostra aetate, 2).


  

"A religião verdadeira não pode ter contradições. As falsas religiões necessariamente tem que ter contradições. A mentira é contraditória."
Orlando Fedeli
  
Santo Agostinho: o cristianismo como verdadeira religião

Há uma interessante discussão entre Santo Agostinho e o filósofo pagão Marcos Terêncio Varrão (116-27 a.C.), no livro “A Cidade de Deus”, do santo doutor de Hipona. Primeiro Agostinho expõe o pensamento de Varrão e depois irá argumentar a favor do cristianismo como vera religio (religião verdadeira).

A conclusão é que no cristianismo o vínculo da religião com a metafísica e o vínculo da religião com a história se harmonizam. A partir de então a metafísica e história passam a constituir a apologia do cristianismo como vera religio. Com o Cristianismo razão e fé se encontram em harmonia, esse encontro “construiu o Ocidente”, renovou a cultura, transformou os povos, unindo-os em uma grande família, apesar de todas as resistências. Segundo Ratzinger, as Universidades, surgidas na Idade Média cristã tiveram a sua origem na pergunta socrática: que é o homem? Só no seio do cristianismo, quando fé e razão se encontraram, se pôde buscar com seriedade uma resposta a essa pergunta.

Se realmente Santo Agostinho achava que todas as religiões eram boas, para quê se dedicaria a escrever um livro realmente intitulado “Da Verdadeira Religião”? Aqui, escreve com todas as letras, de maneira mais clara que a luz do sol:
“É a religião cristã a que devemos abraçar; e a comunhão com a Igreja, a denominada católica, por ser universal. Assim é ela denominada não somente por seus fiéis, mas também por seus adversários. Queiram ou não, os próprios hereges e cismáticos, quando falam dela, não com os seus adeptos mas com os próprios estranhos, não denominam ‘católica, universal’ senão a Igreja católica” (7,21).
Com efeito, se todas as religiões são boas, como “atestam” de maneira deslavada, por que Santo Agostinho afirma que devemos abraçar a religião cristã, mais especificamente a católica?

Fomos criados por Deus, Criador de todas as coisas, para este fim: conhecê-lO e serví-lO. O nosso Criador possui, portanto, pleno direito de ser servido.

Por certo, poderia Deus Ter estabelecido apenas uma lei da natureza para o governo do homem. Ele, ao criá-lo, gravou-a em seu espírito e poderia portanto, a partir daí, governar os seus novos atos pela providência ordinária dessa mesma lei. Mas, preferiu dar preceitos aos quais nós obedecêssemos e, no decurso dos tempos, desde os começos do gênero humano até a vinda e a pregação de Jesus Cristo, Ele próprio ensinou ao homem, naturalmente dotado de razão, os deveres que dele seriam exigidos para com o Criador: "Em muitos lugares e de muitos modos, antigamente, falou Deus aos nossos pais pelos profetas; ultimamente, nestes dias, falou-nos por seu Filho" (Heb 1,1 Seg).

Está, portanto, claro que a religião verdadeira não pode ser outra senão a que se funda na palavra revelada de Deus; começando a ser feita desde o princípio, essa revelação prosseguiu sob a Lei Antiga e o próprio Cristo completou-a sob a Nova Lei.

Portanto, se Deus falou – e comprova-se pela fé histórica Ter ele realmente falado – não há quem não veja ser dever do homem acreditar, de modo absoluto, em deus que se revela e obedecer integralmente a Deus que impera. Mas, para a glória de Deus e para a nossa salvação, em relação a uma coisa e outra, o Filho Unigênito de Deus instituiu na terra a sua Igreja.


Acreditamos, pois, que os que afirma serem cristão, não possam fazê-lo sem crer que uma Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga, além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu Autor, já não estão todos em consenso.

Assim, por exemplo, muitíssimos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concordes em uma só e mesma doutrina, sob um só magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderentes, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si.

Entretanto, cristo Senhor instituiu a sua Igreja como uma sociedade perfeita de natureza externa e perceptível pelos sentidos, a qual, nos tempos futuros, prosseguiria a obra da reparação do gênero humano pela regência de uma só cabeça (Mt 16,18 seg.; Lc 22,32; Jo 21,15-17), pelo magistério de uma voz viva (Mc 16,15) e pela dispensação dos sacramentos, fontes da graça celeste (Jo 3,5; 6,48-50; 20,22 seg.; cf. Mt 18,18; etc.). Por esse motivo, por comparações afirmou-a semelhante a um reino (Mt, 13), a uma casa (Mt 16,18), a um redil de ovelhas (Jo 10,16) e a um rebanho (Jo 21,15-17).

Esta Igreja, fundada de modo tão admirável, ao Lhe serem retirados o seu Fundador e os Apóstolos que por primeiro a propagaram, em razão da morte deles, não poderia cessar de existir e ser extinta, uma vez que Ela era aquela a quem, sem nenhuma discriminação quanto a lugares e a tempos, fora dado o preceito de conduzir todos os homens à salvação eterna: "Ide, pois, ensinai a todos os povos" (Mt 28,19).
Acaso faltaria à Igreja algo quanto à virtude e eficácia no cumprimento perene desse múnus, quando o próprio Cristo solenemente prometeu estar sempre presente a ela: "Eis que Eu estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos?" (Mt 28,20).

Deste modo, não pode ocorrer que a Igreja de Cristo não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista hoje e em todo o tempo, e também que Ela não exista como inteiramente a mesma que existiu à época dos Apóstolos. A não ser que desejemos afirmar que: Cristo Senhor ou não cumpriu o que propôs ou que errou ao afirmar que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Ela (Mt 16,18).

 (Adaptação)

http://blog.veritatis.com.br/index.php/2010/02/10/as-maravilhas-de-uma-editora-que-se-diz-catolica/index.html

 http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=enciclicas&artigo=mortalium&lang=bra#m7

 http://www.presbiteros.com.br/site/santo-agostinho-o-cristianismo-como-verdadeira-religiao/
 
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20091223045422&lang=bra

http://blog.cancaonova.com/dominusvobiscum/2008/10/12/todas-as-relgioes-sao-iguais/

O Demônio existe?

São Miguel Arcanjo
"...Uma das maiores necessidades da Igreja é a defesa contra este mal chamado Satanás. O diabo é uma força atuante, um ser espiritual vivo, perverso e pervertedor; uma realidade misteriosa e amedrontadora." (Papa Paulo VI, L'Osservatore Romano, 24/11/1972)

"É claro que o pecado é um produto da liberdade do homem. Porém, no profundo dessa realidade humana, existem fatores em ação que a colocam para além do meramente humano, na área limite onde a consciência do homem, a sua vontade e a sua sensibilidade estão em contato com as forças das trevas. Elas, de acordo com São Paulo, estão ativas no mundo quase a ponto de dominá-lo (Rm 7,7-25; Ef 2,2; 6,12)" (Papa João Paulo II, Exortação Apostólica à Reconciliação e à Penitência, julho 1993)

Em resumo, a Igreja nos ensina que existem seres chamados demônios, que eram anjos, autoconscientes e inteligentes, que se revoltaram contra Deus, e que espalham o mal no mundo. O chefe destes anjos é Lúcifer, chamado de Satanás ou Diabo.

É por isso que antes de receber os sacramentos do Batismo, Crisma e Eucaristia o católico deve renunciar a Satanás e todas as suas obras.

Os Anjos (§328-330)
A existência de seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura chama de anjos, é uma verdade de fé. São criaturas puramente espirituais, dotadas de inteligência e vontade. São criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis.

A Queda dos Anjos (§391-395)
A desobediência dos primeiros pais (Adão e Eva) foi incitada por Satanás, o Diabo. Ele é um ser, um anjo destronado. Antes ele era um anjo bom, criado por Deus. Mas agora ele se opõe a Deus e por inveja, leva os homens à morte. O Diabo e os outros demônios foram criados bons por Deus e se tornaram maus por sua própria iniciativa.

Esses anjos cometeram um pecado. Essa queda foi uma opção livre desses espíritos criados, que rejeitaram de forma total e definitiva a Deus e o seu Reino. Temos um reflexo desta rebelião nas palavras que o Tentador disse a nossos primeiros pais: "Vocês serão como deuses."

O Diabo é pecador desde o princípio, assassino desde o princípio e pai da mentira. Ele até chegou a tentar desviar Jesus de sua missão. Pois Jesus se manifestou para destruir as obras do Diabo.

Mas o poder de Satanás não é infinito. Ele é poderoso por ser um espírito, mas é apenas uma criatura. Não pode impedir a edificação do Reino de Deus. Ele age no mundo por ódio a Deus e ao seu reino em Jesus Cristo.

Deus permite que o Diabo aja, e isso é um grande mistério, mas nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam.

Um Duro Combate (§407-411)
Pelo pecado original o Diabo adquiriu uma certa dominação sobre o homem, embora este continue livre. O pecado original causa a servidão debaixo do poder daquele que tinha o império da morte, isto é, do Diabo.
O mundo está em uma situação dramática: o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.
Mas Deus não nos abandonou. Deus anunciou o combate entre a serpente (o Diabo) e a Mulher (Maria Imaculada) e a vitória final de Jesus Cristo.

O Nome de Jesus (§434)
A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir de agora é o nome de Jesus que manifesta totalmente o poder supremo do nome acima de todo nome. Os espíritos maus temem seu nome.

A Tentação de Jesus (§538-539)
Após o retiro de Jesus ao deserto, Satanás o tentou por três vezes. Pela sua obediência a Deus, Jesus tornou-se o vencedor do Diabo. Ele venceu o Tentador por nós.

Jesus Desceu à Mansão dos Mortos (§635)
Cristo desceu às profundezas da morte. Jesus, o Príncipe da vida, destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, o Diabo.
Por isso, ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos.

A Obra de Cristo na Liturgia (§1086)
Jesus nos libertou do poder de Satanás e da morte e nos transferiu para o reino do Pai.

O Batismo (§1237)
Como o Batismo significa a libertação do pecado e do seu instigador, o Diabo, pronuncia-se um exorcismo sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a satanás.

Exorcismo (§1673)
Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto sejam protegidos contra a influência do maligno e subtraídos a seu domínio, fala-se em exorcismo. Jesus o praticou e é dele que a Igreja recebeu o poder e o encargo de exorcizar.

O exorcismo visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Bem diferente é o caso de doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Antes de celebrar o exorcismo, é importante ter certeza de que se trata de uma presença do maligno e não de uma doença.

O Homem Imagem de Deus (§1708)
Pela sua paixão, Cristo livrou-nos de Satanás e do pecado.

A Idolatria (§2113)
Existe idolatria quando o homem presta honra e adoração a uma criatura em lugar de Deus. Por exemplo: deuses ou demônios - o satanismo.

A Mentira (§2482)
Mentira é dizer o que é falso com a intenção de enganar. O Senhor denuncia na mentira uma obra do Diabo: Vós sois do diabo, vosso pai, ... nele não há verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

A Inveja (§2538)
É pela inveja do demônio que a morte entrou no mundo.

Livrai-nos do Mal (§2851-2855, 2864)
Neste pedido da oração do Pai-Nosso, o Mal não é uma abstração (uma idéia, uma força, uma atitude), mas designa uma pessoa: Satanás, o Maligno, o anjo que se opõe a Deus.

O Diabo é aquele que se atravessa no meio do plano de Deus e de sua obra de salvação realizada em Cristo.
Assassino desde o princípio, mentiroso e pai da mentira, Satanás, sedutor de toda a terra habitada. Foi por ele que o pecado e a morte entraram no mundo e é por sua derrota definitiva que a criação toda inteira será liberta da corrupção do pecado e da morte.

Nós sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca; o Gerado por Deus se preserva e o Maligno não o pode atingir. Nós sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno.

O Senhor que arrancou vosso pecado e perdoou vossas faltas está disposto a vos proteger e a vos guardar contra os ardis do Diabo que vos combate, a fim de que o inimigo, que costuma engendrar a falta, não vos surpreenda. Quem se entrega a Deus não teme o Demônio. Se Deus é por nós, quem será contra nós?

A vitória sobre o príncipe deste mundo foi alcançada, de uma vez por todas, na Hora em que Jesus se entregou livremente à morte para nos dar a sua vida. É o julgamento deste mundo e o príncipe deste mundo é lançado fora. Ele põe-se a perseguir a Mulher (Maria), mas não tem poder sobre ela: a nova Eva, cheia de graça por obra do Espírito Santo, é libertada do pecado e da corrupção da morte (Imaculada Conceição e Assunção da Santíssima Mãe de Deus, Maria, sempre virgem).

Enfurecido por causa da Mulher, o Dragão foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes. Por isso o Espírito e a Igreja rezam: Vem, Senhor Jesus, porque sua Vinda nos livrará do Maligno.

Ao pedir que nos livre do Maligno, pedimos igualmente que liberte de todos os males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou instigador.

O príncipe deste mundo atribuíra a si mentirosamente os três títulos de realeza, poder e de glória; Cristo, o Senhor, os restitui a seu Pai e nosso Pai, até entregar-lhe o Reino quando será definitivamente consumado o Mistério da salvação e Deus será tudo em todos.

Neste pedido, "livrai-nos do mal", o cristão pede a Deus, com a Igreja, que manifeste a vitória, já alcançada por Cristo, sobre o Príncipe deste mundo, sobre Satanás, o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e a seu plano de salvação.


Fernando de A. Correia 
(Adaptado)
http://www.veritatis.com.br/doutrina/demonios/875-o-demonio-existe

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Se Deus existe por que há tanto mal no mundo, como guerras, doenças, sofrimentos, pobreza, etc.?

Devemos lembrar que o mal, como coisa, como ser, não existe. Lembra-se do exemplo do buraco numa folha de papel ? O buraco não existe. O que existe é o papel.


Mal é falta de ser, falta do que devia existir, ou falta de ordem.
 

Por exemplo, se me falta um olho, isso é um mal. É falta de algo que devia existir. Se tenho uma orelha no meio da fronte, isso é um mal porque é uma falta de ordem. O veneno de uma cobra, enquanto ser, é bom . Ele só é um mal em minhas veias. Não está, quando nelas, no local adequado. Não está em ordem.

Entretanto, há males morais, isto é, ações, más. As ações não são seres, não são substantivos. Há verbos maus, como roubar, mentir, adulterar, enganar etc.


Sempre que se faz uma ação má, no fundo se busca um bem, embora menor. Por exemplo, quem rouba busca o bem do dinheiro. Roubar é um mal, porque estabelece uma desordem entre os bens. O dinheiro é um bem. 


Entretanto, a justiça é um bem maior do que o dinheiro. Quem rouba, coloca o bem menor (o dinheiro) acima do bem maior (a justiça). Essa desordem é que constitui o mal moral (uma ação má).


Como expôs Santo Agostinho, o existir é um bem. Se o mal absoluto existisse, ele teria o bem da existência. Logo, não seria um mal absoluto.

E ainda: o mal vai contra a natureza. Portanto, o mal não é uma natureza.Tudo o que Deus fez é bom .


O demônio, enquanto ser, é bom, pois tem uma garnde inteligência e uma possante vontade, que ele usa só para agir mal.


O inferno mesmo é um bem , porque por meio dele Deus faz justiça. Daí Dante fazer o inferno dizer:
"Fecemi la Divina Potestate (Deus Pai), la Somma Sapienza (Deus Filho) ed il Primo Amore (o Espírito Santo).
[Fizeram-me o Divino Poder (Deus Pai), a Suma Sabedoria (Deus Filho), e o Primeiro Amor (o Espírito Santo).]


Agora, sobre o porquê Deus permitir o mal relativo, como a morte, a doença, pobreza etc.


Em primeiro lugar, Deus fez todas as coisas com qualidades desiguais. Ora, essa diferença de qualidades é que permite a ordem no mundo. E a ordem é que reflete a Sabedoria de Deus.


Havendo desigualdade nos seres, é claro que o ser com menos qualidade (uma pedra em relação a uma planta) está numa situação de carência de bem, o que é um mal relativo. Mas isso foi feito por Deus assim , para que as coisas pudessem ser ordenadas entre si, fazendo brilhar a Sabedoria de Deus, através da ordenação das coisas criadas.

Deus também permitiu a pobreza para que os homens compreendessem que a riqueza não é o bem supremo, mas só relativo. Assim também com a saúde , a vida , o saber etc.

Além disso, Deus fez as coisas com desigualdade para que no universo fosse possível existir a caridade, que é imagem do amor de Deus.

Deus é bom e faz o bem. Ele nos fez semelhantes a Ele. 
Ora, todo homem, enquanto ser, é bom . Mas para ser semelhante a Deus é preciso, como Ele, fazer o bem.
Para fazer o bem é preciso haver desigualdade. Só posso dar esmola, se existe um bolso cheio e outro vazio. Se ambos forem igualmente cheios, ou igualmente vazios, será impossível ou inútil dar esmola. A desigualdade entre pobres e ricos é que permite ao rico ser como Deus que nos dá tudo, e ensina ao rico que a riqueza não é o bem supremo. É, pois, a desigualdade entre ricos e pobres que permite que no mundo haja uma imagem do Amor de Deus.

A guerra, a morte, o pecado são males que entraram no mundo com o pecado de Adão, que desregrou toda a nossa natureza.


Quando um homem injustamente ataca outro, o atacado tem direito de se defender. O mesmo acontece com um país: se é atacado, ele pode resistir ao agressor, e fazer-lhe guerra justa.


Freqüentemente, é no sofrimento - na pobreza, na doença, na dor - que o homem se aproxima de Deus. O mal relativo o aproxima do Bem Absoluto. O que é excelente.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.


(adaptação)
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20040817205143&lang=bra

Divisões

"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentir e no mesmo parecer. A respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" (grifos nossos).

Assim, vemos que, já naquela época, os cristãos se dividiam, seguindo as orientações e ensinamentos deste ou daquele discípulo de Cristo, o que certamente acarretava mudança doutrinária (ainda que leve), motivo pelo qual o santo apóstolo pede encarecidamente para que todos falem a mesma coisa (ou seja, tenham unidade de doutrina), para que o Corpo de Cristo permanecesse íntegro, sem divisões. E, ao que parece, tal conselho foi rigorosamente seguido durante os onze primeiros séculos do Cristianismo, ainda que vez ou outra alguma discórdia de ordem política - principalmente - ameaçasse a unidade cristã.

Mesmo assim, ao que parece, o motivo pelo qual se funda uma nova igreja hoje não é somente o amor por Jesus ou pela Palavra de Deus.


Divisão, divisão, divisão... Milhares e milhares de "igrejas" que se dizem seguidoras de Jesus e "fiéis" defensoras da Bíblia Sagrada... Será que realmente conhecem Jesus? Praticam mesmo sua Palavra?? A resposta - infelizmente - só pode ser uma: Não!. Jesus reza pela unidade (cf. Jo 17,22) e ensina que todo reino dividido contra si mesmo será destruído (cf. Mt 12,25). É a unidade entre os seguidores de Cristo a prova incontestável da sua divina missão, como claramente atesta Jo 17,21: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti. Que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste". Logo, quem somos nós para ficarmos fundando igrejinhas por aí, simplesmente para atender aos insanos e inexplicáveis desejos de um grupo particular de pessoas? A esse respeito, São Judas nos alertou em sua epístola: "São estes os que causam divisões; são sensuais, e não têm o Espírito" (Jd 1,19); são estes os falsos profetas, os falsos mestres que nos vêm "disfarçados de ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mt 7,15), falsos apóstolos disfarçados em Apóstolos de Cristo (cf. 2Cor 11,13), e cuja finalidade é fazer sinais e prodígios, para, se possível, enganar até mesmo os escolhidos (cf. Mt 24,11.24), para nos escravizar com suas heresias destruidoras (Gl 2,4; 2Pd 2,1); estes saíram de nós, mas não eram dos nossos (cf. 1Jo 2,19), pois rejeitam toda a autoridade e blasfemam as dignidades (cf. Jd 1,8).

Como dizia certa música popular, "a Justiça de Deus não tarda, não; e nem vai embora". Podemos estar certos de que todos estes que semeiam a divisão no Povo de Deus - que é a Igreja - não herdarão o Seu Reino. Quanto a isto, São Paulo categoricamente afirmou:

"Digo, porém: Andai no Espírito, e não satisfareis à concupiscência da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito é contrário à carne. Estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis (2). As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas NÃO herdarão o reino de Deus" (grifos nossos).

Portanto, esqueçamos os ensinamentos desses falsos mestres e unamo-nos para que seja respeitada a vontade de Cristo: "que haja um só rebanho e um só Pastor" (Jo 10,16).

(Adaptação)
Carlos Martins Nabeto  
http://www.veritatis.com.br/apologetica/artigospapaprimado/849-e-licito-dividir-a-igreja-crista

sábado, 18 de setembro de 2010

O que ensina o Catecismo da Igreja sobre a existência de Deus

31 . Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas "vias" para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de "provas da existência de Deus", não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de "argumentos convergentes e convincentes" que permitem chegar a verdadeiras certezas.

33 . O homem: Com sua abertura à verdade e à beleza, com seu senso do bem moral, com sua liberdade e a voz de sua consciência, com sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Mediante tudo isso percebe sinais de sua alma espiritual. Como "semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria", sua alma não pode ter origem senão em Deus.

34 . O mundo e o homem atestam que não têm em si mesmos nem seu princípio primeiro nem seu fim último, mas que participam do Ser em si, que é sem origem e sem fim. Assim, por estas diversas "vias", o homem pode aceder ao conhecimento da existência de uma realidade que é a causa primeira e o fim último de tudo, "e que todos chamam Deus".

35 . As faculdades do homem o tornam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, a prova da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.

Grifos meus