"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentir e no mesmo parecer. A respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" (grifos nossos).
Assim, vemos que, já naquela época, os cristãos se dividiam, seguindo as orientações e ensinamentos deste ou daquele discípulo de Cristo, o que certamente acarretava mudança doutrinária (ainda que leve), motivo pelo qual o santo apóstolo pede encarecidamente para que todos falem a mesma coisa (ou seja, tenham unidade de doutrina), para que o Corpo de Cristo permanecesse íntegro, sem divisões. E, ao que parece, tal conselho foi rigorosamente seguido durante os onze primeiros séculos do Cristianismo, ainda que vez ou outra alguma discórdia de ordem política - principalmente - ameaçasse a unidade cristã.
Mesmo assim, ao que parece, o motivo pelo qual se funda uma nova igreja hoje não é somente o amor por Jesus ou pela Palavra de Deus.
Divisão, divisão, divisão... Milhares e milhares de "igrejas" que se dizem seguidoras de Jesus e "fiéis" defensoras da Bíblia Sagrada... Será que realmente conhecem Jesus? Praticam mesmo sua Palavra?? A resposta - infelizmente - só pode ser uma: Não!. Jesus reza pela unidade (cf. Jo 17,22) e ensina que todo reino dividido contra si mesmo será destruído (cf. Mt 12,25). É a unidade entre os seguidores de Cristo a prova incontestável da sua divina missão, como claramente atesta Jo 17,21: "Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti. Que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste". Logo, quem somos nós para ficarmos fundando igrejinhas por aí, simplesmente para atender aos insanos e inexplicáveis desejos de um grupo particular de pessoas? A esse respeito, São Judas nos alertou em sua epístola: "São estes os que causam divisões; são sensuais, e não têm o Espírito" (Jd 1,19); são estes os falsos profetas, os falsos mestres que nos vêm "disfarçados de ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores" (Mt 7,15), falsos apóstolos disfarçados em Apóstolos de Cristo (cf. 2Cor 11,13), e cuja finalidade é fazer sinais e prodígios, para, se possível, enganar até mesmo os escolhidos (cf. Mt 24,11.24), para nos escravizar com suas heresias destruidoras (Gl 2,4; 2Pd 2,1); estes saíram de nós, mas não eram dos nossos (cf. 1Jo 2,19), pois rejeitam toda a autoridade e blasfemam as dignidades (cf. Jd 1,8).
Como dizia certa música popular, "a Justiça de Deus não tarda, não; e nem vai embora". Podemos estar certos de que todos estes que semeiam a divisão no Povo de Deus - que é a Igreja - não herdarão o Seu Reino. Quanto a isto, São Paulo categoricamente afirmou:
"Digo, porém: Andai no Espírito, e não satisfareis à concupiscência da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito é contrário à carne. Estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis (2). As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas NÃO herdarão o reino de Deus" (grifos nossos).
Portanto, esqueçamos os ensinamentos desses falsos mestres e unamo-nos para que seja respeitada a vontade de Cristo: "que haja um só rebanho e um só Pastor" (Jo 10,16).
(Adaptação)
Carlos Martins Nabeto
http://www.veritatis.com.br/apologetica/artigospapaprimado/849-e-licito-dividir-a-igreja-crista
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